quinta-feira, 5 de abril de 2012

HÁPAX*






Karline da Costa Batista

 Toma esta poesia torta
Escrita com dois cinzéis e uma horta
Na balada de uma sinfonia surda
Na toada de uma lavadeira curda

Toma esta vertigem amorfa
Feita de licores babilônicos e uma porta
Gole a gole, entulha-te o estômago
Rompendo-se a veia, abduz o âmago

Toma este grão-sótão arcaico
Teto Apache sobre piso incaico
Samba e cúmbia, cadência e passo
Do pé ameríndio a fugir do laço

Toma depressa este cálice
Ébrio cacto citadino de carbono e múrice
Toma, pois, que meu destino é ápice
E o meu nobre nome: um hápax.



*8ª classificada no Prêmio Cecílio Barros Pessoa de Poesia (Arraial do Cabo, Rio de Janeiro). 04.04.2012

CURIOSIDADES:

Hápax ou Hapax legomenon é uma expressão que usada para designar uma palavra que há aparecido registrada somente uma única vez em um idioma dado. Ou ainda palavra ou expressão de que só existe um único exemplo, em determinada língua, época ou autor.Um exemplo é a palavra “Taprobana” usada por Luís de Camões na epopeia Os Lusíadas.

Curda: Mulher pertencente à região denominada Curdistão. Os curdos são estimados em cerca de 38 milhões de pessoas e seu idioma é o curdo, língua indo-europeia do ramo iraniano.

Cúmbia: Música e dança muito ritmada originária da América Central.

Múrice: Molusco gastrópode de concha coberta de pontas, que vive nas costas rochosas do Mediterrâneo, e do qual os antigos retiravam a púrpura.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gaudí*




Autoria: Karline Batista

             Colírios perdidos.

             Mesmo na sombra de um beijo   

              Há luz!


                                Nascem lírios neste refratário epidérmico que me reveste
                                
                            
             Lírios de luz.



                                              Tragam-me os cacos:  é de mosaicos que se vive.

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Poesia selecionada para a Revista Um Conto 

* Poema em homenagem ao arquiteto Antoni Gaudí que tanto me inspira, sobretudo, neste poema com o seu Parque Guell.  Faça um tour virtual aqui e se encante como eu me encantei!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Canto Jaguaribano



Dedicado a García Lorca que me ensinara a cantar minha aldeia.

Amor Velado
Veludo escarlate
Rimas e ruídos no ar

São anjos que me batem a porta
ou são braços eólicos a importunar? 

Dunas líricas
Cantos de Areia
Melodia oceânica
Voz de Sereia

Aragem cearense
Jandaia canora 
Aracati cósmico
Mito Jaguar.

Onde será que o pescador mora
Onde será?
Ceará!

Autoria: Karline Batista
Córrego dos Rodrigues,Aracati-CE
09:19

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Decreto de Atempus e a Civilização Uróboro




E o tempo...
Se me perguntarem, digo que não existe


Decreto a morte do Tempo
Das ampulhetas e do Rolex
Do relógio d’água e de xadrez
De azeite e digital
Do atômico ao quartzo ou de sol
Horológios em decadência!


Nunca mais pêndulos a contar-me os dias
Basta de ponteiros a marca-me a existência
Tempo que perco tanto
E não tenho nunca!


É extinto todo calendário
Big Ben maldito que nos aprisiona a vida
Em elegantes agendas de couro
Voraz estômago de cupim


Abaixo o império de Cronus !
Uróboros que somos
Nunca nascemos nunca morreremos
Herdeiros de Kairos ,aguardamos Aevum
Exonerado está o Ontem, o Amanhã e o Depois
Aposentados estão as Horas, Minutos e Segundos
Suplantados pela Revolução de Atempus


O universo para Ser não precisou explodir
Porque desde ali já existia, ó decrépito Big Bang!
E em estabelecimento do Artigo primeiro e único:
-Tudo e todos são infinitos!
E se infinitos são, começo e fim se perdem
Porque tudo que termina, um dia foi começo
E tudo que se inicia, com o fim aninha-se
Pois se sabe que não é o tropeço que principia a queda!
Autoria: Karline Batista
Batista

domingo, 17 de julho de 2011

Conta-Gotas


Autoria: Karline Batista
Se escondo uma lágrima
Não é por medo de macular minha pele
Nem para ocultar o meu lado cristal.
Meu temor é que elas se petrifiquem rápido demais
E entulhem minha alma-vala comum.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ao Amor




Ter o coração sempre inflamado
Brasas e Beijos
E nas labaredas das batidas deste teu amor insano
me render vertiginosamente ao poço dos teus prazeres

Sondar o silêncio das tuas entre-palavras
e me embrenhar no emaranhado da tua voz
Ser tua tua tua
Sem jamais retroceder.
Ser tua tua tua...
E que o meu pertencimento te pertença ao infinito

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vinhos,Rosas e Mulheres.



Mulheres sempre esperam mais
quando sabem que vão receber de menos
Inegável.
(...)
Se eu tivesse deixado murchar todas as rosas
Teria visto que preteri um ramalhate
quando podia ter todo o roseiral.
( descompasso)
De passo em passo
Retomo o ritmo.
Neste baile da vida sempre se pode mudar o tom.
Apesar de perder o cavalheiro...

Não nos culpemos mulheres...Erga-se e brinde: vai-se o vinho, permanece a taça !


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Kynismós



Ando transgredindo o que acredito
por dois tostões do que sinto
Num valsar de sonhos e indulgências
que estipulo para minha própria seita e cabeça:
-Ando torpemente.
De mal em mal, a Natureza me reinventa
e construirá com teias uma carapaça para meu corpo
À prova de cinismo e catástrofes humanamente forjadas:
 - Reclusa no meu pseudotorpor para ver se vivo melhormente camuflada nesta terra de breus.
La vie in blanc.
Meus gritos rompem as correntes.
E  com as unhas,desprendo as raízes de minha carne enquanto a seiva sanguinolenta se alastra pelos campos extintos do meu coração...
...
...
...
...
....
E mergulho em qualquer parte da Essência.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ampulheta





Fazer valer os dias
No passar das horas
sem poupar os minutos
nem esnobar os segundos.
(Karline)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Nas Gavetas

Por Karline Batista


Ter um sorriso para cada dia
E um dia todo para viver
Saber de cor uma poesia
Com mil flores a oferecer

Se o passado fosse um fóssil
Teria muito Arqueólogo
Escondendo o seu

Queria ser um abril não chuvoso
Com mil beijos nas mãos
E dois no bolso
Só para brincar de viver.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo Denovo!



 
O que traz o Ano Novo de novo
Se os dias são os mesmos
E as pessoas também?
A maior novidade do Ano Novo
É o resgate da crença de dias melhores.
A sensação de que temos um novo capitulo
uma nova página
ou até mesmo um novo parágrafo.

Isso revitaliza o ser humano
Fazendo-o acreditar em sim mesmo e no potencial do próximo.
E assim somam forças.
E Forças unidas movem o mundo.
Daí se começa o ano com tudo.
Daí se faz planos.
Daí se projeta melhor o futuro.

Entretanto essa sensação de Novidade
não pode surgir só a cada fim de ano
mais a cada fim de dia.
Então aproveite essa energia que o Ano Novo traz denovo
E leve com você durante todo esse ano.

Crie suas novidades apartir das rotinas.
E faça da sua rotina sempre uma novidade.
Reinvente seu dia
Reinvente sua vida


Renove seu amor pelas pessoas queridas
Refaça os laços rompidos
Reaprenda
Realce
Renasça .
Ainda há muita vida la fora esperando por cada um de nós
 Eu Acredito: E você?

Que Venha!

O ano passou
E nós ainda restamos
Entre lutas e alegrias
Marchas e derrotas
O ano passou...
Mas ainda restamos
O pó que se eleva do chão nos atingi mas não nos detem.
O vento não nos detem
As adversidades não nos detem
Os desafios não nos detem
O medo nos paralisa
Nos imobiliza
Então que ele se vá com o ano que se retira
Deixando o caminho aberto para o que virá
Ah e muita coisa estar por vir
O ano passou
Mas nós não passamos!
Que venha o novo!
A Noite Velha ficará para trás.
Nós não!
Aguardamos os amanheceres que virão.
E eles virão.
Que venham!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Transições


Transito dentro mim
Nesse tráfego de sonhos e desejos
Passo por entre as gentes
Essa gente que me olha sem me ver
Só, o corpo desliza por entre o espaço
Vento, poeira, sons, desabores, rumos, cheiros, amores...
Nos corredores dessa vida
Avenida de meus anseios
Ando descalça para sentir o ritmo das ruas
E não voltar para Casa, vazia desta viagem
Que a Vida me chamou há umas duas décadas atrás.
Triste não é ser mais um na multidão
Mas não ter uma Multidão para mostrar o A Mais.




sábado, 5 de dezembro de 2009

Agora


O Agora me importa muito
O Amanhã não me interessa
O Passado não me alcança, apenas a sua lembrança
O Agora me importa e muito
Agora posso ser eu
Agora posso sonhar
Agora posso mudar o curso da minha vida
Ontem já foi , seguiu seu rumo natural como todos os ontens fazem
e Amanhã, bom o Amanhã não existe.
Eu existo.
O Agora existe
O Ontem é o Agora que um dia existiu
E o Amanhã, nunca será mais que um símbolo da nossa esperança projetada ao acaso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Revivendo




Tal qual a Fênix:renasço!

De repente esqueço dos meus sonhos
meus medos, anseios e amores
Esqueço o que fui e já fiz
Deixo o fardo do passado longe de mim
Lanço ao solo as histórias que vivi
As que queria viver
E as que nunca viverei.
Pra tomar a minha verdadeira forma
Novos moldes, sabores e linhas.


Me reinventar deste nada pós-tudo
Me refazer deste caos tranquilo
E dali tirar matéria prima para refazer-me.
Renascer dos escombros da voraz felicidade
para as padrarias do vulcão.

Todo o Amor


Que seja o amor
que nos transforme , nos reforme
e faça uma reinvenção das nossas histórias
Que seja o olhar terno
que nos imprima na alma
duas marcas áureas
para jamais esquecer a pureza do sentir.
Que seja o beijo
que libere o amor em nós
e nos aprisione nas frágeis cadeias do infinito,
com todo o amor que há nessa vida

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Primeiros Ensaios de Mulher



Nada mais que uma menina


que a vida chama a viver


nada mais que uma menina


e desde já: mulher


Mulher nas suas feições infantis


Nos seus olhares vagos, serenos, amorosos


Descobrindo-se vida


Sendo vida


Palavra-vida


Eu-vida


E num espaço de tempo


A menina-mulher se cria


Mulher em supremacia


Mulher em suas certezas


Nasce, vive, espia


Mulher-ferina


Tem o mundo aos seus pés.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Às margens de um rio chamado Eu




Olhe
Lá está eu!


Eu fluindo...




Sem saber para onde...
Sem saber desde quando...


Mas estou indo!




Em uma correnteza apelidada por Tempo.


Onde o Tempo não sei se sou eu que sigo


Ou é ele que me segue...





terça-feira, 25 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

Entre a Pena e o Papel: Eu


Entre a pena e o papel
Há uma alma que sofre
Que espreme sua vida
Em linhas frágeis e deletaveis

Nestes traços chamados letras
Aprisiono um pedaço de mim
E esse pedaço do meu eu
Viverá um pouco mais
Do que quem as escreveu.

Talvez nem isso aconteça
E as tíbias letras
Em pouco desapareça
Assim como a mão
Que as concebeu.

Mas se for merecedora
De eternizar algo meu
Ao cair a cortina
Deixo duas sentenças:
Amou e viveu!

Onde Estão os Heróis?


Percorra por um momento
Resgatando entre os escombros
A linha turva do teu pensamento
Teu passado aos tombos

Tome-o em mãos esterilizadas
Liberta da decadência humana
Dos algozes juízes das trevas
Trôpegos abismos de lama

Erga acima dos céus
E desvele a tênue divisa
Entre o que valeu a pena
E que se fez justiça.

Contemple. Admire. Enamore-se
Se no caudaloso rio do teu coração
No córrego das tuas veias.
Socorrer o oprimido era tua vocação.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Falando em Amor


Posso falar de amor
e não ser amor
e mesmo assim
minhas palavras
te convencem que sim
que morro de amor por ti


Depois
descobriras
que o que se falou,
de amor pouco tinha,
e se tinha
era tudo fala.


Acabaras descobrindo
que amar e falar
é o disfarce do engano.
Até que um dia,
enfim,
meus olhos
acabem falando de amor
por mim

sábado, 4 de julho de 2009

Meu Destino


Parto devagarinho
Rumo ao meu destino
Sem qualquer certeza
Mas com toda a esperança





Zarpo bem cedinho
A vagar pelo caminho
E no cascalho do meu peito
vou garimpando o coração





Sinto a força feito onda
A nascer descomunal
mas sem ânimo , vai desfalecida
Morrer no distante litoral





Noutras, tem ambição
Com o orgulho a queimar por dentro
Arrojar-se contra o veleiro
Levando a pique a embarcação





Então, com a alma serena
Determinada rumo ao futuro
Espero o ímpeto da boa correnteza
Levar-me ao porto seguro.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um Rio em Mim




"O que chamam de poesia,


em mim é um rio de água constante


que irriga as áridas montanhas


do meu espírito


e torna fecunda


as boas terras do meu coração"


(Karline Batista)