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terça-feira, 23 de junho de 2009

Cartas de uma Alma


Posso deixar aqui
as cartas amanhecidas de uma alma?
Que deflagrou com seus sonhos nos vitrais do tempo
e caiu em pedaços pelo espaço


Espalhando suas letras pelo caminho
na esperança teimosa que um dia
o destinário reconheça a caligrafia
e venha afogar-me com seus beijos
em letargia.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Varanda


Hoje


perdi o brilho que no meu olhar restava


perdi os sonhos e o pesadelo


perdi minhas crenças e meus medos


perdi até o que eu nunca havia de tê-lo




sentei-me na varanda


a descortinar a minha pálida existência


desenhado meus projetos em visões patéticas


sem saber se tudo é fruto da esperaça ou da demência




agora que farei eu da minha jornada?


onde encontrarei guarida para o meu abraço?


em que parede pendurarei meu quadro?


onde reclinarei minha cabeça face ao cansaço?




ahh, que triste varanda a que me sento


tu que se fazia grande aos meus desejos


hoje, solitária e fria


fica a espera de outros beijos.