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domingo, 2 de dezembro de 2012

Centenário de um Bravo




Autoria: Karline Batista

Essa terra não dá flor
Mas Gonzaga nasceu dela
E assim tudo o que nasce
Traz missão na espinhela
                                                                                   
Ele sabe do sertão
Como o sertão sabe das secas
Da vida tomou lição
Conheceu suas incertezas

Viu sua gente pelo avesso
Tanta cultura esparramada
Transformou tudo em verso
Foi baião na batucada

Espantando essa peste
Apelidada por tristeza
Cantou sobre o nordeste
Vida, angústia e beleza.

Branca asa, saga antiga.
Retirante não é destino
Gonzaga, esse é o nome.
Bravo homem nordestino!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Poema Abrasileirado*




Autoria: Karline Batista

 Piano à beira do abismo
É niilismo, é niilismo.
Tecla a tecla, ouço um gemido.
Sol ferido, sol ferido.

Tamoio, Tamoio
Me traz um cocar
Maloio, maloio
Carnaúba, caju e cajá.

Vitrola tocando tango
Eu sambo, eu sambo.
Cantilena to be or not to be
Sou mais tupi, sou mais tupi.

Crioulo, crioulo
Me ensina a gingar
Vernáculo, vernáculo
Luso-afro-tupinambá.



* 3° Lugar no Prêmio Literário Legislativo em Caçapava do Sul (RS)

Baixe GRATUITAMENTE o livro " III Prêmio Literário Legislativo - Caçapava do Sul (RS)"


quinta-feira, 5 de abril de 2012

HÁPAX*






Karline da Costa Batista

 Toma esta poesia torta
Escrita com dois cinzéis e uma horta
Na balada de uma sinfonia surda
Na toada de uma lavadeira curda

Toma esta vertigem amorfa
Feita de licores babilônicos e uma porta
Gole a gole, entulha-te o estômago
Rompendo-se a veia, abduz o âmago

Toma este grão-sótão arcaico
Teto Apache sobre piso incaico
Samba e cúmbia, cadência e passo
Do pé ameríndio a fugir do laço

Toma depressa este cálice
Ébrio cacto citadino de carbono e múrice
Toma, pois, que meu destino é ápice
E o meu nobre nome: um hápax.



*8ª classificada no Prêmio Cecílio Barros Pessoa de Poesia (Arraial do Cabo, Rio de Janeiro). 04.04.2012

CURIOSIDADES:

Hápax ou Hapax legomenon é uma expressão que usada para designar uma palavra que há aparecido registrada somente uma única vez em um idioma dado. Ou ainda palavra ou expressão de que só existe um único exemplo, em determinada língua, época ou autor.Um exemplo é a palavra “Taprobana” usada por Luís de Camões na epopeia Os Lusíadas.

Curda: Mulher pertencente à região denominada Curdistão. Os curdos são estimados em cerca de 38 milhões de pessoas e seu idioma é o curdo, língua indo-europeia do ramo iraniano.

Cúmbia: Música e dança muito ritmada originária da América Central.

Múrice: Molusco gastrópode de concha coberta de pontas, que vive nas costas rochosas do Mediterrâneo, e do qual os antigos retiravam a púrpura.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Decreto de Atempus e a Civilização Uróboro




E o tempo...
Se me perguntarem, digo que não existe


Decreto a morte do Tempo
Das ampulhetas e do Rolex
Do relógio d’água e de xadrez
De azeite e digital
Do atômico ao quartzo ou de sol
Horológios em decadência!


Nunca mais pêndulos a contar-me os dias
Basta de ponteiros a marca-me a existência
Tempo que perco tanto
E não tenho nunca!


É extinto todo calendário
Big Ben maldito que nos aprisiona a vida
Em elegantes agendas de couro
Voraz estômago de cupim


Abaixo o império de Cronus !
Uróboros que somos
Nunca nascemos nunca morreremos
Herdeiros de Kairos ,aguardamos Aevum
Exonerado está o Ontem, o Amanhã e o Depois
Aposentados estão as Horas, Minutos e Segundos
Suplantados pela Revolução de Atempus


O universo para Ser não precisou explodir
Porque desde ali já existia, ó decrépito Big Bang!
E em estabelecimento do Artigo primeiro e único:
-Tudo e todos são infinitos!
E se infinitos são, começo e fim se perdem
Porque tudo que termina, um dia foi começo
E tudo que se inicia, com o fim aninha-se
Pois se sabe que não é o tropeço que principia a queda!
Autoria: Karline Batista
Batista